Que visível me parece agora a contradição cotidiana, a que telas de plasma e exaustivas jornadas de trabalho se ocupam de encobrir.
Qual a dificuldade de encontrar com júbilo o lazer tão propagandeado pelos bens de consumo apresentados, atualizados, adequados?
E então a tecnologia veio para o bem comum. Vislumbra-se modernidade, trabalha-se por ela, paga-se caro e economiza-se horas.
Guardamo-nos tempo pra quê?
Em que consiste o tempo livre em que nos agoniamos, procurando a tal felicidade?
Slogans nos indicam abstrações e superficialidades sem as quais, advertem, não há sorrisos.
E, após aquelas, outras há.
E tendo tudo, ainda não há nada.
Tédio...
O que estará errado nas leis de mercado?
O homem já tem incrustrado em sua psíque a compulsão, a necessidade (desnecessária) do consumo, a ânsia acelerada pelo fim de sua função, o comodismo pela falta de atenção ao tempo que lhe resta.
Deixa-se de valorizar o imaterial, sendo que as inter-relações humanas tendem a se distanciar cada vez mais no mundo moderno.
E desta forma, apenas o ócio e/ou o caos criativo de uns minutos o fazem enxergar que se vive hoje para o sustento das engrenagens e não mais por viver.
Qua quanto mais é impelido ao consumo, mais se insere no sistema de consumir mais.
E que o tempo livre serve para estimular a imaginação e suprir os desejos, que ele nem sabe mais se ainda vivem.
Escrito por mim em 2007.
Hoje eu ainda acrescentaria que a felicidade consiste em se adequar ao giro das engrenagens, e não de se buscar o que realmente importa. Não dá mais tempo pra isso.