Todo trabalho deve cansar,
todo tédio há um dia que se manifestar.
Algum dia, um dia provavelmente vai aborrecer.
Olhando o micro cérebro alheio soldado à sua felicidade infantil
parece até atraente a burrice.
(Tantos risos altos e convictos...)
Mas não,
é uma porta trancada.
Uma vez posto para trabalhar um neurônio que seja
não se pode voltar atrás.
É um caminho sem volta,
um vício sem tratamento.
É possível ser feliz pensando e vendo tudo?
Sabendo tanta coisa sobre tanta coisa?
Por quê, me pergunto,
buscamos respostas para nos saciar
se a única resposta possível a filosofia já deu:
são as questões que importam,
respostas são infinitas.
Pessoas práticas vivem melhor,
vieram para um um mundo pronto e nunca precisaram buscar nada.
São o que ouvem, o que vestem, o que moram.
Assim é fácil.
Mas para outros isso não é o suficente.
Esses outros devem ter a plena consciência de que não são uns,
são outros.
E devem se dar o direito de se deprimir às vezes,
de errar, porque estão fazendo tudo sozinhos,
de se entristecer com a falta de complacência alheia,
de se enraivecer com o vazio crescente ao seu redor.
Sim, porque não são máquinas.
Sim, porque precisam buscar algo para si,
nem que tenham que mudar meio mundo.
E algum dia, certamente as forças se esvaem.
Pensar positivo também cansa.
Não é o fim do mundo.
Ainda há dias para se viver.