quarta-feira, 1 de abril de 2009

"— Para que servem os espinhos?

O principezinho jamais renunciava a uma pergunta, depois que a tivesse feito. Mas eu estava irritado com o parafuso e respondi qualquer coisa:

— Espinho não serve para nada. São pura maldade das flores.

— Oh!

Mas após um silêncio, ele me disse com uma espécie de rancor:

— Não acredito! As flores são fracas. ingênuas. Defendem-se como podem. Elas se julgam terríveis com os seus espinhos ...

Não respondi. Naquele instante eu pensava: "Se esse parafuso ainda resiste, vou fazê-lo saltar a martelo". O principezinho perturbou-me de novo as reflexões:

— E tu pensas então que as flores ...

— Ora! Eu não penso nada. Eu respondi qualquer coisa. Eu só me ocupo com coisas sérias

Ele olhou-me estupefato:

— Coisas sérias !

Via-me, martelo em punho, dedos sujos de graxa, curvado sobre um feio objeto.

— Tu falas como as pessoas grandes!

Senti um pouco de vergonha. Mas ele acrescentou, implacável:

— Tu confundes todas as coisas ...

Misturas tudo !

Estava realmente muito irritado. Sacudia ao vento cabelos de ouro:

— Eu conheço um planeta onde há um sujeito vermelho, quase roxo. Nunca cheirou uma flor. Nunca olhou uma estrela.

Nunca amou ninguém. Nunca fez outra coisa senão somas. E o dia todo repete como tu: "Eu sou um homem sério! Eu sou um homem sério!" e isso o faz inchar-se de orgulho. Mas ele não é um homem; é um cogumelo!

— Um o quê?

— Um cogumelo!"