Cara Ponta Grossa,
estou partindo.
Desculpe-me noticiar isso assim, desta maneira,
bem no dia do seu aniversário.
Mas não fosse dessa forma,
acabarias por saber por outro que não eu.
Estou indo embora, sim.
Tomara que não sintas minha falta.
Tens a muitos,
claro que ninguém igual a mim.
Nenhum dos seus é como o outro...
Pois bem, Ponta Grossa,
minhas razões são reais.
Pouco consigo ser feliz aqui.
Não que eu deteste o passado,
quem não gosta de sua história não ama a si.
Apenas acho que chegou o momento.
Não há mais a mesma sede de desfrutá-la.
Não há mais o que fazer.
Por favor, não me entenda mal.
Tanta certeza há nisso que sinto...
Se eu ficasse, acho que seria tudo igual,
e não quero mais auroras para colecionar sem viver.
Quero respirar ar puro
e fazer tudo outra vez.
Recomeçar de outra maneira,
quantas vezes eu sentir necessário.
Não sei qual o motivo
dessas duas décadas em sua companhia acabarem assim.
Não sei o que será de mim longe de ti.
Mas reforço,
vai ser melhor assim.
É o que mais anseio.
Vou continuar sendo sua filha,
continuar lembrando o que passei aqui.
E talvez sinta até saudades.
Sim, acho que sentirei.
Contudo não posso ficar,
espero que compreendas bem.
Ponta Grossa, estarei longe,
e nada impede-me de voltar.
Virei te visitar a cada ano para que não te esqueças de mim.
Não, eu não te esquecerei.
É o fim de uma parte da vida,
minha, mas não tua.
Sei que não irás sofrer,
apenas recorde meus passos pelas avenidas frias,
as quais não me anima mais o vento na face.
Recorde meus porres e risos,
minhas conquistas e sonhos que tu tentavas desvendar.
Se precisar eu volto, sim.
Mas por ora, preciso ir.
Pense na incerteza e na delícia que isso me traz,
torça por mim,
porque a partir de agora estarei sozinha.
Sozinha com a família que eu mesma criei,
começando tudo o que, espero, me orgulharei muito em breve.
Adeus, Ponta Grossa!
Adeus!