domingo, 24 de agosto de 2008

Minhas primeiras palavras resumem todo o conteúdo destes parágrafos.
Respeito à vida.
Somente quem já teve contrações e dores de parto sabe o quão custoso e ao mesmo tempo maravilhoso é criar uma vida.
Somente quem ainda se sensibiliza com a morte pensa quão absurdamente ela está banalizada.
Sobre a morte eu não sei, mas sobre a vida...
Acho que muitas pessoas não são dignas de gerarem vidas. Mesmo assim, esse direito lhes foi dado.
Pelo contrário, o direito de negar a vida (ou acabar com ela) não foi dado, me parece, a ninguém.
Sou contra a eutanásia, a pena de morte, o sacrífício, a caça e a pesca e o aborto.
O mundo evoluiu muito, mas continua a ser como era.
Lembro-me claramente de ler um texto sobre a reforma urbana no Rio de Janeiro, que desabrigou muitos em favor dos arranha-céus. Ele apontava que a modernidade não necessariamente indicava progresso.
O homem das cavernas caçava.
O homem da cobertura com piscina ainda caça.
Com a sutil diferença que o primeiro não sabia plantar, era nômade e não tinha registros da evolução que ocorrera anterior ao seu aparecimento.
O humano com o computador nos dedos não sabe respeitar. Ele acredita que tudo o que o cerca está exatamente ali para o satisfazer. Ele tem filhos para que estes o idolatrem, e não para que sejam felizes e livres. Os animais servem para alimentá-lo e morrerem em seus laboratórios para salvar sua pele. Ao contrário das premissas de Jesus Cristo, acredito que nenhum ser tem a função de servir.
O homem, grande homem, que criou a luz elétrica, compactuou com a eletrocução de condenados na fila da morte por medíocres interesses financeiros.
Quantos morreram por aquele invento, sr. Edison?
Tudo por uma razão simples. O homem tem sempre que ganhar. Ganhar do mais fraco, ganhar do equivocado, ganhar de si mesmo, ganhar de quem está do lado de fora do ringue. Não interessa qual a situação, uma condenação não redime a outra. O carrasco não é mais correto que o enforcado por assassínio.
Grande evolução, meus amigos homens!
E, minhas amigas mulheres, também falo de vocês. Que direito pensam ter sobre os pequenos que só de vocês dependem, e são sujeitos à morte, sem defesa?
Seu direito se restringe a seu corpo. Quando um corpo a mais está em jogo, sua vontade não é mais a lei. A fragilidade acaba sempre cedendo.
Não é possível que não se enxergue os olhos brilhantes de um animal que ama sua vida e implora para continuar com ela. É incrível a contradicão com que as pessoas pelo tratamento ético dos animais continuam sacrificando vidas ao invés de estarem tentando salvá-las.
Não interessa qual o risco, qual o tamanho da moléstia a que um animal esteja acometido. Ele tem a grandeza de tentar, de ainda amar a sua vida, mesmo que dela só reste uma fração.
É invejável a determinação que um cachorro velho ainda tem para procurar seu pote de comida, mesmo cego, surdo ou fraco. Por que será? Obviamente ele quer viver! Ele valoriza os segundos que lhe restam, não importa quão custoso isso lhe seja. Mas aí aparece um humano piedoso e lhe aplica uma injeção que promete acabar com o seu sofrimento. E um dos seus últimos gestos, pasmem, é lamber-lhe a mão.
Por isso, meus caros amigos, não tentem me convencer que há algo de piedoso nisso. Tampouco me digam o quanto é maravilhoso comer um churrasco ou elegante usar um casaco de peles, porque como viram, não me agrada em nada a selvageria. E não venham me dizer que há justiça em interferir no curso da vida de quem quer que seja, porque pra mim, isso não passa de um ciclo de atrocidades que é baseado no desrespeito.
Particularmente, há uma boa base para sustentar meus pressupostos, mas como disse, devido ao livre arbítrio, há quem confronte essas idéias, que se caracterizam como simples opinião.
Pois mais vale uma opinião em que se acredita veementemente que a submissão. Contudo, até mesmo quem tem fé cega põe créditos nas suas palavras. O que não tolero é, justamente a falta dela e de senso, já que a ética não penetra em cada consciência.
Termino por endossar que nenhum outro aspecto em minha vida é tão esclarecido quanto este.
A vida é a única coisa que muitos têm.