quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Houve um dia que eu cansei.
Houve dias que se repetiam,
a cada três ou quatro dias.
Estava entediada,
os tempos exigiam de mim uma motivação que eu não tinha.
Começaram a se repetir com freqüência,
e o espaço entre um e outro diminuía.
Até que semanas se contagiaram com esse vírus maldito.
Todos os dias se tornaram febris,
cansativos,
infames.
Então cinco minutos olhando a chuva me reviviam outra vez.
E quando não chovia era o brilho do sol na parede que me animava.
No início eu reclamava, batia o pé.
Algumas vezes me deixava levar pela monotonia.
E vegetava.
Era um estado de morte não morrida,
de inércia que seca,
mas não chega a consumir.
Até que um lampejo de vida mudou tudo.
Cansada do mesmo tudo,
e de ouvir os que pranteavam sobre a mesma rotina,
decidi partir.
Como é de meu feitio jogar tudo para o alto,
desta vez o fiz, deveras,
Conservei apenas o que me é caro.
Abandonei a cidade que nasci,
arranquei os baobás que sufocavam a flor,
deixei pra trás quase todo o meu passado.
Porque começar tudo de novo, de fato,
era o que eu sempre precisei.
Vento novo em minha face,
novas vistas e,
clichê mesmo,
novos horizontes.
Não sei o que me espera,
nem quando vou chegar,
mas estou a caminho.
A euforia de viver é o que me impulsiona.
não importa onde eu esteja,
estarei livre.