"Não quero o teu alpiste!
Gosto mais do alimento que procuro na mata livre
em que a voar me viste.
Tenho água fresca num recanto escuro.
Da selva em que nasci;
da mata entre os verdores,
tenho frutos e flores,
sem precisar de ti!
Não quero a tua esplêndida gaiola!
Pois nenhuma riqueza me consola
de haver perdido aquilo que perdi...
Prefiro o ninho humilde,
construído de folhas secas,
plácido, e escondido.
Entre os galhos das árvores amigas...
Solta-me ao vento e ao sol!
Com que direito à escravidão me obrigas?
Quero saudar as pompas do arrebol!
Quero, ao cair da tarde,
entoar minhas tristíssimas cantigas!
Por que me prendes?
Solta-me, covarde!
Deus me deu por gaiola a imensidade!
Não me roubes a minha liberdade...
QUERO VOAR! VOAR!"