terça-feira, 1 de abril de 2008

"Não quero o teu alpiste!

Gosto mais do alimento que procuro na mata livre

em que a voar me viste.

Tenho água fresca num recanto escuro.

Da selva em que nasci;

da mata entre os verdores,

tenho frutos e flores,

sem precisar de ti!


Não quero a tua esplêndida gaiola!

Pois nenhuma riqueza me consola

de haver perdido aquilo que perdi...

Prefiro o ninho humilde,

construído de folhas secas,

plácido, e escondido.

Entre os galhos das árvores amigas...


Solta-me ao vento e ao sol!

Com que direito à escravidão me obrigas?

Quero saudar as pompas do arrebol!

Quero, ao cair da tarde,

entoar minhas tristíssimas cantigas!


Por que me prendes?

Solta-me, covarde!

Deus me deu por gaiola a imensidade!

Não me roubes a minha liberdade...

QUERO VOAR! VOAR!"