domingo, 2 de setembro de 2007

Minha Casa

Minha Casa

É mais fácil cultuar os mortos que os vivos.

Mais fácil viver de sombras que de sóis.
É mais fácil mimeografar o passado
que imprimir o futuro.
Não quero ser triste
como o poeta que envelhece
lendo Maiakóvski na loja de conveniência.
Não quero ser alegre
como o cão que sai a passear com o seu dono alegre
sob o sol de domingo.
Nem quero ser estanque
como quem constrói estradas e não anda.
Quero no escuro
como um cego tatear estrelas distraídas.

Amoras silvestres no passeio público.
Amores secretos debaixo dos guarda-chuvas.
Tempestades que não param,
pára-raios quem não tem,
mesmo que não venha o trem não posso parar.

Veja o mundo passar como passa

uma escola de samba que atravessa.
Pergunto onde estão teus tamborins...
Pergunto onde estão teus tamborins...
Sentado na porta de minha casa,
a mesma e única casa,
a casa onde eu sempre morei.