segunda-feira, 9 de julho de 2007

Você não é mais quem eu conheci
porque quem conheci não era você.
Estou tão cansada de tentar esconder minha fragilidade,
e de ser frágil,
e de mentir estar sempre feliz,
e de não achar essa maldita felicidade em lugar nenhum!
Estou cheia disso,
dessa vida de mentiras,
de encontrar momentos alegres,
me iludir com eles pensando ser feliz,
e de repente me ver no chão,
atordoada.
E as palavras que um dia me levantaram
ainda ecoam em minha mente.
Como pôde ser tudo uma mentira?
Como pôde a verdade, então,
ter se transformado nesse pesadelo?
Isso já não sei.
Disso não saberei.
Já não tenho a quem amar.
Já não tenho razões.
Quem me conhecia se foi,
e não irei entregar meus pontos a quem não me conhece.
As únicas pessoas que me conheceram por inteiro
foram embora.
E o erro foi só meu,
ao querer que elas me amassem como eu as amei.
E quando me amaram,
não sei.
Eu sempre amei alguém.
Mas agora até o amor maior que eu tinha,
que não é da carne,
que não é de beijos,
até mesmo este me abandonou.
Porque encontrou sua felicidade,
e não é perto de mim.
Como as mães devem lamentar,
agora lamento eu,
pois os filhos devem voar.
As mães ninam sua cria,
e lutam pela sua felicidade.
Mas acabo de perceber que do mesmo modo me equivoquei.
Quando estão frágeis, sim,
os amores precisam de nós.
Mas quando encontram sua glória,
devem viver-na sozinhos.
Ou com o alguém que a causou.
E eu...
bem,
eu já não faço parte disso.
Me calo.
Sorrio levemente,
porque estás feliz.
Quando na verdade queria colo,
e romper em lágrimas,
e coçar os olhos machucados pelo sal,
e pensar naquela saída,
e pensar em quem amei.
E eu queria poder chorar um rio,
ou queria ter motivos para não fazê-lo.
Mas não dá.
Ficarei longe.
Não dá.