Longe das migalhas
quero, pois, estar,
posto que aprisionam dizendo salvar,
e que viciam o ser em benefício próprio.
Pois,
longe de tudo devo permanecer,
pela dádiva a mim concedida
de enxergar o que antes me negava a ver.
Por causa das migalhas.
Eis que o ser sofre e luta,
e chora e perde,
e fraqueja e termina
por deixar-se escravizar.
Tudo o que não deseja
é encontrar-se com o Nada,
e continuar sua senda
da maneira com que seus iguais fazem.
E vão seguindo lado a lado
contentes e descontentes,
pois têm companhia
e não chegarão ao Nada.
Assim será pela eternidade,
quando as almas não alcançarem nenhuma iluminação.
Ouso dizer que minha alma encotrou o Nada.
Foi-me mostrado pelo caminho da dor.
Agora estou eu,
buscando a mais de mim,
e sinto que já subi um degrau.
Ao som do silêncio,
ouvi a mais bela das vozes,
e ansiei por mais sons.
Minha alma renasceu e pediu-me para viver.
Há nela,
ou houve por esta manhã,
uma chama tão curiosa
que fez esquecer-me que sinto frio.